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Organização de “apoio ao movimento”

Rochelle Jones, Sarah Rosenhek, Anna Turley

A experiência da Associação para os Direitos das Mulheres e o Desenvolvimento (AWID)

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RESUMO

Organizações e movimentos contemporâneos de direitos das mulheres trabalham em um contexto desafiador de menos recursos, mais riscos, aumento da violência e das desigualdades e incerteza ambiental. Como organização de “apoio ao movimento”, a Associação para os Direitos das Mulheres e o Desenvolvimento (Association for Women’s Rights in Development – AWID) responde a esse contexto com um modelo colaborativo de construção de movimento – construindo nosso poder coletivo, ampliando a base de indivíduos e organizações envolvidos com as lutas pelos direitos das mulheres e articulando conjuntamente agendas inclusivas e transformadoras para a mudança tanto do mundo ao nosso redor como das nossas próprias práticas. Este artigo mostra como o modelo da AWID de “apoio ao movimento” – baseado na colaboração e em canais de diálogo com nossos associados e bases de apoiadores – está ajudando a levar adiante nossos objetivos comuns de direitos humanos, paz, justiça de gênero e sustentabilidade ambiental em todo o mundo.

Palavras-Chave

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1.  Introdução

Um breve olhar sobre a história dos direitos humanos e sua intersecção com as questões de gênero ao longo dos últimos 25 anos elucida a importância do papel que os movimentos sociais e de direitos das mulheres em particular têm desempenhado na contínua expansão da concepção e conceituação dos direitos humanos e da justiça de gênero. Essas expansões da estrutura de direitos humanos não foram resultado de uma iluminação súbita nem por parte dos governos, nem das Nações Unidas, mas sim de demandas concretas para o reconhecimento das reivindicações emergentes das lutas coletivas dos povos indígenas, trabalhadores domésticos, trabalhadores do sexo, movimentos de lésbicas, gays, bi, trans, queer e intersexo (LGBTQI), migrantes, populações rurais, jovens, minorias étnicas e religiosas e outros, e de seu engajamento consistente com o sistema de direitos humanos em nível nacional, regional e internacional.

Poucos movimentos mudaram a estrutura dos direitos humanos de maneira mais fundamental e radical do que os movimentos de direitos das mulheres1 em todo o mundo. As organizações de direitos das mulheres desempenham um papel catalisador tanto na promoção dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero, como no avanço de outros objetivos críticos do desenvolvimento e dos direitos humanos, contribuindo para mudanças estruturais e legislativas, sustentando comunidades, engendrando instituições e estruturas normativas e transformando comportamentos e atitudes. Condições favoráveis à não abordagem dos desafios enfrentados pelas organizações de direitos das mulheres, cujo estatuto, em muitos aspectos, serve como um termômetro para a sociedade civil em geral, prejudicarão a realização progressiva dos direitos humanos para todas as pessoas.

Em nossos 30 anos de participação na organização dos direitos das mulheres aprendemos que a transformação sustentável para garantir que os direitos das mulheres e a igualdade de gênero sejam uma realidade vivida por mulheres e meninas em todo o mundo só é possível quando trabalhamos juntos através de nossas organizações e movimentos e quando essas organizações obtêm o financiamento crucial de que necessitam. Uma pesquisa recente da AWID, por exemplo, demonstra o enorme alcance e a transformação possíveis quando organizações que trabalham para construir o poder coletivo das mulheres para a mudança recebem recursos importantes por um longo período de tempo (BATLIWALA; ROSENHEK; MILLER, 2013). Como organização de “infraestrutura”, a AWID está respondendo a esse contexto com um modelo de construção de movimento colaborativo – construindo o nosso poder coletivo, ampliando a base de indivíduos e organizações envolvidos com as lutas pelos direitos das mulheres e articulando conjuntamente agendas inclusivas e transformadoras para a mudança tanto do mundo ao nosso redor como das nossas próprias práticas.

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2.  Contexto da organização de direitos das mulheres

Organizações e movimentos de direitos das mulheres contemporâneos trabalham em um contexto desafiador de menos recursos, mais riscos, aumento da violência e das desigualdades e incerteza ambiental. Além disso, energia e recursos valiosos são gastos para combater as forças retrógradas que buscam reverter os direitos duramente conquistados. Várias tendências moldam o contexto do trabalho para as organizações de direitos das mulheres em geral e da AWID, em especial:

O paradigma econômico existente com intenso foco no desenvolvimento baseado no mercado, na privatização e no crescimento é cada vez mais reconhecido mundialmente por seu papel na perpetuação da desigualdade e da pobreza. Este modelo muitas vezes aumenta os custos de serviços básicos, levando a claros impactos de gênero e a desigualdades, enquanto o trabalho não remunerado das mulheres, tanto na subsistência doméstica, na reprodução e na produção familiar não remunerada, continua a ser explorado. Ao mesmo tempo, há múltiplas e concorrentes crises sistêmicas (energia, alimentos, finanças e clima) que continuam a representar desafios para governos, doadores, praticantes do desenvolvimento, ativistas e formuladores de políticas para reinventar o sistema no longo prazo e mitigar os impactos negativos no curto e no médio prazo.

As discussões e negociações intergovernamentais sobre um quadro de desenvolvimento pós-2015 estão adiantadas, conforme nos aproximamos do final dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2015. O resultado decepcionante da conferência Rio +20 e o acordo lá realizado para desenvolver um novo conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) marcaram o início de um processo complexo de uma nova agenda de desenvolvimento nas Nações Unidas pós-2015. Grupos de direitos das mulheres2 expressaram suas preocupações sobre o restrito conjunto de objetivos traçados no relatório do Painel de Alto Nível de Pessoas Eminentes para o Secretário-Geral da ONU e continuam a luta para defender uma abordagem baseada nos direitos que coloque os direitos das mulheres no centro de uma agenda de desenvolvimento pós-2015. Outras negociações intergovernamentais da ONU já estão evidenciando a complexidade e os desafios a serem enfrentados pelas organizações e movimentos de direitos das mulheres nos próximos anos para defender o que foi alcançado, evitar retrocesso e colocar novas ideias e propostas sobre a agenda.

O setor privado, principalmente as empresas e os filantropos individuais, tornou-se um ator central nos setores de desenvolvimento e filantropia. Temos visto um aumento no financiamento vindo de novos atores do setor privado para o tema de mulheres e meninas, muitas vezes instrumentalizando suas contribuições para o crescimento econômico. “Investir no tema de mulheres e meninas” foi anunciado como uma nova estratégia fundamental por diversos atores, como o Banco Mundial, a Newsweek e o Walmart (THE WORLD BANK, 2012; VERVEER, 2012; WALMART, 2011), mas essa retórica não se traduziu necessariamente em recursos reais para os direitos das mulheres. Recente pesquisa da AWID (MILLER; ARUTYUNOVA; CLARK, 2013) chama a atenção para as principais características de 170 diferentes iniciativas de parceria com foco em mulheres e meninas, com 143 delas alocando coletivamente 14,6 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, a pesquisa constata que 27% das 170 iniciativas de apoio a mulheres e meninas envolveram organizações de mulheres como parceiros e apenas 9% as financiavam diretamente. Os resultados ilustram um panorama complexo de novos atores e novos recursos para mulheres e meninas que desafia categorizações simplistas e traz consigo novas oportunidades e desafios.

Movimentos fundamentalistas religiosos continuam a ganhar poder. O aumento da violência por atores estatais e não estatais direcionada à população em geral e, particularmente, aos movimentos sociais e ativistas, compromete e desafia seriamente a democracia, a paz e os direitos humanos. Em muitas regiões, isso está diretamente ligado ao crescimento da influência de fundamentalismos com argumentos baseados em religião (assim como na cultura, na tradição e no nacionalismo) usados para violar e negar os direitos das mulheres, dos indivíduos LGBTQI e de minorias religiosas, étnicas e culturais. Os fundamentalistas e seus apoiadores também vêm favorecendo com sucesso argumentos baseados no relativismo cultural em processos multilaterais, como ocorreu na 56a Comissão da ONU sobre a Situação da Mulher em 2012.

A violência contra os Defensores dos Direitos Humanos das Mulheres (DDHM) continua a crescer. Este aumento no número e na gravidade dos ataques aos DDHM, tanto por atores estatais como não estatais, tem sérios impactos sobre a sustentabilidade dos movimentos pelos direitos das mulheres. No ano passado, os DDHM tiveram reconhecida a violência que enfrentam por causa de seu papel na defesa dos direitos das mulheres, do meio ambiente e de suas comunidades. Isso inclui uma maior atenção por mecanismos internacionais de direitos humanos; em particular, a inclusão de linguagem relativa aos DDHM pela primeira vez nas conclusões acordadas no CSW573 e a adoção, em novembro de 2013, da primeira resolução sobre as mulheres defensoras dos direitos humanos pelo Terceiro Comitê da Assembleia Geral das Nações Unidas.4

Apesar dos desafios que este cenário apresenta, há importantes oportunidades, aberturas e sinais de esperança para o avanço da agenda de direitos humanos das mulheres. Movimentos sociais progressistas têm se organizado para resistir e responder a essas tendências. Na vanguarda estiveram os ativistas dos direitos das mulheres e os jovens exigindo mudanças estruturais, protegendo suas comunidades, opondo-se à violência e salvaguardando conquistas importantes. Movimentos e organizações dos direitos das mulheres, no entanto, vêm enfrentando importantes desafios. A falta de acesso a recursos financeiros adequados continua a afetar a sustentabilidade das organizações de direitos das mulheres e sua capacidade de se proteger, se necessário. Muitos ativistas dos direitos das mulheres e suas organizações também estão trabalhando em um contexto de riscos e preocupação com segurança cada vez maiores. Como destacado anteriormente, os ataques a defensores e ativistas dos direitos das mulheres estão em ascensão, com formas extremas de violência aumentando dramaticamente. Contra esse pano de fundo de menos recursos e mais riscos, a organização dos direitos das mulheres continua fragmentada, com as diversas expressões de organização das mulheres ainda não sendo capazes de se unir de forma mais estratégica como movimentos para enfrentar coletivamente os desafios prementes. Construir nosso poder coletivo e aumentar nossa capacidade de trabalhar em conjunto são as principais estratégias para lidar com isso.

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3.  A AWID como uma organização de “apoio ao movimento”

A AWID pretende ser uma força motriz dentro da comunidade global de ativistas feministas e de direitos das mulheres, organizações e movimentos, fortalecendo nossa voz coletiva, influenciando e transformando as estruturas de poder e de tomada de decisão e promoção dos direitos humanos, justiça de gênero e sustentabilidade ambiental em todo o mundo.

Como organização de “apoio ao movimento”, nosso trabalho serve para apoiar, prover recursos e fortalecer as organizações e os movimentos de direitos das mulheres, para que eles, por sua vez, possam ser mais eficazes em seu trabalho e luta em diferentes níveis. Fazemos isso preenchendo lacunas estratégicas (por exemplo, na produção de conhecimento e disseminação de informação), alavancando nosso acesso a espaços-chave e influência junto a atores relevantes em que apenas outras poucas organizações de mulheres estão presentes ou em que temos valor agregado para contribuir, além de fornecer diferentes tipos de apoio direto (estabelecimento de conexões, desenvolvimento de capacidades, convocatórias estratégicas, mobilização de recursos).

O compromisso da AWID para a construção de organizações e movimentos de direitos das mulheres que sejam mais fortes e eficazes é favorecido pelo nosso modelo de associação. Como organização associativa internacional feminista, temos 4.546 associados de 156 países (595 associados institucionais e 3.951 individuais) – principalmente do Sul global. Ter uma base de apoio grande e diversificada é fundamental para fazer avançar a nossa missão de forma eficaz e, ao mesmo tempo, é parte integrante da nossa identidade, legitimidade e credibilidade como organização de “infraestrutura” dos direitos globais das mulheres. Nossos associados têm um papel importante em nossa governança – na nomeação e eleição dos membros do nosso Conselho de Administração. Nós também envolvemos nossos associados em nossas ações de pesquisa, construção de conhecimento e de solidariedade. Valorizamos e trabalhamos no sentido de construir uma ampla base de apoio, a qual inclui, mas não está limitada aos associados da AWID, para reforçar a consciência coletiva, a ação e a solidariedade em relação aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero. Isso inclui reunir organizações e ativistas de diferentes movimentos sociais e diferentes níveis de organização (local-global), ampliando e afinando ainda mais nossas análises e agendas e, acima de tudo, explorando novas formas de trabalhar juntos, conectando as diferentes partes dos nossos problemas, setores, grupos e movimentos.

A experiência e as prioridades de trabalho da AWID servem como exemplos de como podemos criar mecanismos para a participação local na definição de agendas dos direitos das mulheres – desempenhamos múltiplos papéis na “construção do movimento”, que depois são trazidos à vida através de nossas diversas áreas de programas,5 combinando estratégias que vão desde a construção de conhecimento e a difusão de informação multilíngue, pesquisa voltada à ação, defesa e envolvimento com atores influentes, fóruns e instituições, construção de alianças entre organizações e movimentos de mulheres e com outros setores da sociedade civil, convocação de diálogos estratégicos sobre questões específicas e mobilização de recursos para apoiar a organização dos direitos das mulheres. A seguir, apresentamos um resumo desses papéis primários na construção do movimento, com exemplos concretos de nossos programas que demonstram como engajamos nossos diversos associados e ampla base de apoiadores para atender nossos objetivos coletivos.

3.1  Construindo conhecimento e definindo agendas

Juntamente com nossos associados, a AWID constrói o conhecimento coletivamente a partir de uma perspectiva feminista das forças, tendências, processos e instituições que minam ou afetam os direitos humanos das mulheres, bem como as estratégias e inovações utilizadas para combater estas influências e levar adiante nossas agendas. Contribuímos agindo como provocadores, colocando novas questões e análises nas agendas das organizações e movimentos de mulheres e outros atores influentes, além de fornecermos uma contínua crítica feminista ao desenvolvimento e às tendências de direitos humanos – produzindo publicações de pesquisa multilíngue e análise semanal através do nosso boletim “Arquivos de Sexta-Feira”.6 Respondendo à necessidade expressa pelos nossos associados e bases de apoiadores de formular conhecimento sobre como combater as táticas e estratégias utilizadas pelos atores fundamentalistas religiosos, por exemplo, a AWID produziu “Religião, Cultura e Tradição: Intensificando esforços para a erradicação da violência contra as mulheres” (GOKAL; DUGHMAN MANZUR, 2013) – fornecendo aos ativistas dos direitos das mulheres argumentos centrais e trechos de instrumentos de direitos humanos que afirmam que a religião, a cultura e a tradição não podem ser usadas para justificar o não cumprimento das normais internacionais de direitos humanos. Esta nota informativa foi utilizada com sucesso pela AWID e seus associados na 57ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW57), na Comissão sobre População e Desenvolvimento (CPD46) e na conferência da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) para desafiar os argumentos relativistas culturais de atores fundamentalistas nesses espaços internacionais de direitos humanos.

Nossa pesquisa sobre tendências de financiamento7 e atores que influenciam a organização de direitos das mulheres foi construída com base em pesquisas participativas e em diálogos com os nossos associados e bases de apoiadores. O projeto “Onde está o dinheiro para os direitos das mulheres?” da AWID pesquisou associados e outras organizações de mulheres ao longo dos últimos oito anos sobre a sua situação de financiamento, com as publicações resultantes compartilhadas com os associados para serem usadas em seu próprio favor junto aos doadores. Por exemplo, o nosso relatório “Molhando as folhas e matando as raízes de fome: A situação do financiamento para a organização dos direitos das mulheres e a igualdade de gênero” (ARUTYUNOVA; CLARK, 2013) é baseado em uma pesquisa com mais de 1.100 organizações de mulheres em todas as regiões do mundo. Desde o seu lançamento em outubro de 2013, o relatório foi amplamente divulgado entre os nossos associados e bases de apoiadores. Os associados da AWID foram especificamente apoiados por meio de convocatórias neste processo. Por exemplo, em 2013 três webinars foram realizados em conjunto com Catapult8 para apresentar aos associados os resultados da nossa pesquisa de financiamento e ao conceito de crowdfunding (financiamento coletivo) como potencial método de mobilização de recursos para o seu trabalho.

3.2  Centro de informações feministas globais e análise

Reconhecida como fonte referencial de informação multilíngue e análise feminista sobre as tendências atuais e emergentes, a AWID serve como centro de informações “de” e “para” nossos associados e movimentos mais amplos de direitos das mulheres. Ao fazer isso, contribuímos para o aumento da visibilidade dos grupos de direitos das mulheres, perspectivas, lugares e temas que são comumente excluídos no trabalho de organizações tradicionais e incentivamos a ligação entre as questões e os atores. O site trilíngue da AWID (http://www.awid.org) e os boletins eletrônicos apresentam informação, análise e recursos produzidos tanto pela AWID como por nossos associados e bases de apoiadores, equipando uma base de associados global de mais de 48.500 defensores dos direitos das mulheres com as últimas informações e análises. A AWID também divulga informações e recursos exclusivos para seus associados, envolvendo-os cada vez mais através de plataformas de mídia social como o Facebook e o Twitter.9

A parceria da AWID com o Guardian On-line e o Mama Cash e o lançamento de uma nova seção de direitos das mulheres e igualdade de gênero em foco no website de desenvolvimento global do Guardian10 abre um novo e importante canal de diálogo para as organizações de direitos das mulheres. A AWID e o Mama Cash visam servir de ponte para um público significativamente maior e mais diversificado sobre as questões prementes que afetam as mulheres, meninas e pessoas trans e ao mesmo tempo focar o trabalho crítico que está sendo realizado por movimentos de direitos das mulheres e feministas.

3.3  Reunindo & Conectando atores diversos e bases de apoiadores dentro e fora dos movimentos de mulheres

O significativo poder convocatório da AWID é usado para promover o diálogo, conectar, ajudar a superar a fragmentação e criar estratégias sobre questões fundamentais. Nós organizamos e facilitamos espaços construtivos para nossos associados e outras diversas organizações de mulheres, doadores, agências de desenvolvimento, direitos humanos e outras organizações da sociedade civil para explorar e fortalecer as conexões dentro e através da diversidade de gerações, problemas, regiões e setores e reunir grupos que ainda não encontraram pontos em comum. Por exemplo, através do nosso programa Jovem Ativista Feminista (Young Feminist Activist – YFA), conectamos nossas associadas ao programa com outras jovens de todo o mundo, promovendo a conscientização a respeito das suas diferentes formas de organização e facilitando seu envolvimento com os principais processos e eventos internacionais.

O Fórum Internacional da AWID para os Direitos da Mulher e o Desenvolvimento é o maior evento regular do gênero, respondendo aos desafios emergentes, preenchendo lacunas e promovendo alianças mais fortes e coordenadas. O Fórum da AWID de 2012, “Transformando o poder econômico para promover os direitos das mulheres e a justiça”, reuniu 2.239 ativistas dos direitos das mulheres de 141 países – 65% vindos do Sul global e 15% de jovens mulheres com menos de 30 anos. Associados pagam preços reduzidos para participar do Fórum. O Fórum reúne diversos grupos para que aprendam uns com os outros e influenciem as agendas dos movimentos de mulheres e outros atores relacionados. Além do espaço do Fórum, iniciativas de acompanhamento fortalecem as conexões e ideias criadas: por exemplo, o site do Fórum de 2012 (http://www.forum.awid.org/forum12/) foi transformado em centro de recursos e aprendizagem, trazendo conteúdo gerado pelos participantes. Também apoiamos 24 Fóruns de subsídios iniciais11 de 19 países de todas as regiões, oferecendo 5.000 dólares de financiamento para que cada um deles possa implementar atividades inovadoras relacionadas ao tema do Fórum. Os beneficiados representam setores geralmente excluídos – e a diversidade neles presente – dos movimentos de direitos das mulheres, incluindo profissionais do sexo, mulheres jovens, sindicalistas do setor de vestuário, cuidadores domiciliares, ambientalistas, agricultores rurais e pescadores, movimentos de base, economistas, ciganos e pessoas trans.

3.4  Defensora e mobilizadora

A AWID está ativamente engajada na defesa de políticas para desenvolver colaborativamente posições com os associados e outros parceiros e fazer avançar as posições em espaços internacionais relevantes. Além disso, usamos estratégias gerais para influenciar e transformar as práticas e agendas de instituições poderosas, como as grandes organizações de direitos humanos e de desenvolvimento e outras organizações da sociedade civil. Acreditamos que as organizações de mulheres devem ter um maior conhecimento e voz e na formulação de políticas de desenvolvimento para garantir que elas atendam suas necessidades, direitos e realidades e que os recursos alocados em nome das mulheres e meninas estejam efetivamente atingindo os grupos. A AWID atua em processos como os ODS, a Agenda para o Desenvolvimento Pós-2015 da ONU, a Parceria Global para a Eficácia da Cooperação para o Desenvolvimento, a CSW e outras instâncias, e a elaboração conjunta de estratégias e a ampliação de diversas perspectivas de nossos associados e bases de apoiadores.

Dada a crescente violência e gravidade das agressões contra os DDHM na maioria das regiões, nosso objetivo é melhorar as respostas oferecidas por instituições internacionais, mecanismos da ONU e ONGs de direitos humanos e trabalhar com redes regionais e internacionais para ajudar a fortalecer os mecanismos de proteção e respostas aos DDHM em risco. Por exemplo, como membro e em coordenação com outros membros da Coalizão Internacional de Defensores dos Direitos Humanos da Mulher (Women Human Rights Defenders International Coalition – WHRD IC), juntamente com o governo da Noruega, a AWID contribuiu para defesa conjunta que resultou na aprovação da primeira resolução sobre a proteção dos DDHM12 pela Terceira Comissão da Assembleia Geral da ONU. Para mobilizar os nossos associados a apoiarem os DDHM, usamos os alertas-AWID:13 um alerta on-line para ação urgente que convida os associados a agir em solidariedade aos DDHM que estejam enfrentando ameaças e violência. A mobilização on-line é uma forma importante de nos envolvermos com a nossa global e diversificada base de apoiadores. Para a 58a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (Commission on the Status of Women – CSW 58) este ano,14 a AWID usou sua crescente presença nas mídias sociais para enviar uma mensagem forte afirmando que os direitos das mulheres devem estar no centro da nova agenda de desenvolvimento.15 Associados, parceiros e aliados da AWID de mais de 50 países aderiram à nossa mobilização em mídias sociais, atingindo 1,7 milhões de pessoas através da nossa maratona via Twitter.

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4.  Conclusão

Os múltiplos papéis da AWID em torno do “apoio ao movimento” ilustram como uma abordagem colaborativa junto aos nossos associados e à base de apoiadores é o cerne do nosso trabalho e refletem a nossa crença no poder dos movimentos para criar uma dinâmica para a mudança. Os atuais e futuros processos das Nações Unidas (pós-2015, revisões +20, ODS) serão momentos importantes para que os movimentos de direitos das mulheres, além do processo intergovernamental, reúnam-se e continuem pensando estrategicamente e debatendo novas propostas e ideias sobre economia alternativa e modelos de desenvolvimento e para assegurar a integração da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres como pontos centrais das agendas em desenvolvimento. Há uma necessidade urgente, portanto, de construir agendas comuns através de uma ampla gama de atores e setores, fortalecendo e aprofundando essas conexões, a fim de agir em conjunto para uma ordem social mais justa. Acreditamos que a mudança profunda e sustentável para os direitos das mulheres requer a ação e o poder coletivo das mulheres, por isso, torna-se essencial apoiar e fortalecer os diversos movimentos pelos direitos das mulheres.

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Notas

1. Para compreender a nossa definição de “movimentos”, por favor consulte a nossa publicação: Batliwala (2012).

2. O Grupo Majoritário das Mulheres (www.womenrio20.org) reúne 400 organizações e indivíduos que trabalham para o desenvolvimento sustentável do ponto de vista dos direitos das mulheres em níveis local, nacional, regional e global. Sua análise crítica do Relatório do Painel de Alto Nível pode ser encontrada aqui: http://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/3767women3.pdf. O Relatório do Painel de Alto Nível pode ser acessado aqui: Http://www.post2015hlp.org/the-report/. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

3. Consulte as conclusões acordadas no CSW, Ponto A. Implementação de fortalecimento das estruturas legal e de políticas e prestação de contas, Parágrafo (z), “Apoiar e proteger aqueles que estão comprometidos com a eliminação da violência contra as mulheres, incluindo mulheres defensoras dos direitos humanos, que enfrentam risco específico de violência” (UNITED NATIONS, 2013).

4. Veja artigo da AWID sobre a adoção desta resolução (TOLMAY; VIANA, 2013).

5. Os programas da AWID são divididos em áreas Centrais e Temáticas. Programas Centrais representam as prioridades permanentes para a organização que são aspectos centrais do nosso papel como uma organização de “apoio a movimento”, apoiando e fortalecendo a infraestrutura e a capacidade das organizações e movimentos de direitos das mulheres no mundo todo: 1) Fórum Internacional sobre Direitos e Desenvolvimento da Mulher; 2) Associação e Construção da base de apoiadores; 3) Conectando Conhecimento e Prática; 4) Direitos da Mulher à Informação e Comunicação; 5) Ativismo Feminista de Juventude. Nossos programas temáticos se relacionam a temas que estão intimamente ligados às tendências contextuais dominantes mencionadas anteriormente: 1) Desafiando Fundamentalismos Religiosos; 2) Justiça Econômica e Financiamento dos Direitos da Mulher; e 3) o Direito de Defender os Direitos: Defensores dos Direitos Humanos da Mulheres.

6. Os Arquivos de Sexta-Feira são análises semanais e trechos de entrevistas relacionadas às questões dos direitos das mulheres em nível internacional, regional e nacional e sobre as tendências atuais e eventos oportunos de uma perspectiva feminista, produzidos em inglês, francês e espanhol. Eles estão disponíveis em: http://www.awid.org/News-Analysis/AWID-s-Friday-Files. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

7. Publicações da AWID sobre financiamento para os direitos das mulheres, entre 2005 e 2014, estão disponíveis em: Http://www.awid.org/AWID-s-Publications/Funding-for-Women-s-Rights. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

8. Catapult é uma plataforma on-line de crowdfunding focada especificamente em projetos que beneficiam mulheres e meninas. Veja: http://www.catapult.org/. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

9. A página do Facebook da AWID pode ser acessada em: https://www.facebook.com/pages/AWID/351068122677; e o Twitter em: https://twitter.com/AWID. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

10. O website pode ser acessado em: http://www.theguardian.com/global-development/series/womens-rights-and-gender-equality-in-focus. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

11. A lista completa dos vencedores dos subsídios iniciais em 2013 pode ser encontrada em: (ASSOCIATION FOR WOMEN’S RIGHTS IN DEVELOPMENT, 2012).

12. Membros da Coalizão Internacional de Defensores dos Direitos Humanos da Mulher (a AWID, a Anistia Internacional, a Just Associates e o Serviço Internacional para os Direitos Humanos) divulgaram um comunicado sobre a resolução (ASSOCIATION FOR WOMEN’S RIGHTS IN DEVELOPMENT, 2013c).

13. Veja: http://www.awid.org/Get-Involved/Urgent-Actions. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

14. Para mais informações sobre a quinquagésima oitava sessão da Comissão sobre a situação da Mulher, veja: http://www.unwomen.org/en/csw/csw58-2014. Último acesso em: 30 Abr. 2014.

15. Veja o original (ASSOCIATION FOR WOMEN’S RIGHTS IN DEVELOPMENT, 2014).

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Referências

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Rochelle Jones, Sarah Rosenhek, Anna Turley

Rochelle Jones, Sarah Rosenhek e Anna Turley: este artigo teve a coautoria da Escritora e Editora, da Diretora Interina de Programas e da Diretora de Informação e Comunicação da AWID, respectivamente. A AWID é uma organização internacional e feminista empenhada em conquistar a igualdade de gênero, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos das mulheres.

E-mail: contact@awid.org

Original em inglês. Traduzido por Adriana Gomes Guimarães.

Recebido em maio de 2014.