Chamada de textos

edição 27

Chamada de textos
Revista Sur

Ensaios - Estudos de Caso - Reflexões Institucionais

Em colaboração com

Em colaboração com e apoiado por

 

Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos
Chamada de Textos ed. 27
Internet e Democracia

Conectas Direitos Humanos convida a todos para o envio de textos na forma de ensaios, estudos de caso, reflexões institucionais e peças artísticas (veja embaixo para mais detalhes) – com preferência vozes de ativistas do Sul Global – para a 27ª edição da Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos que será publicada em julho de 2018. As contribuições serão recebidas até 31 de março de 2018 às 23h59min).

Além de publicar contribuições de interesse geral sobre direitos humanos (desde uma perspectiva do Sul Global), a 27ª edição também contará com um Dossiê Sur sobre Internet e Democracia.

A dinâmica evolução recente das tecnologias da informação e comunicação, com o advento da internet e do uso de dispositivos móveis em escala global, trouxe novos desafios ao funcionamento das democracias ao redor do mundo e para a proteção de direitos civis e políticos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e tratados internacionais relevantes. Ao permitir novas formas de diálogo e interação entre cidadãos e governantes, tais tecnologias têm fornecido uma série de novos canais entre a população em geral e suas instituições formais. Mais: discursos e demandas de pessoas e comunidades em desvantagem social e econômica têm, por meio da rede, encontrado espaço de expressão, em um contexto de mídia tradicional concentrada e de difusão de discursos mais homogêneos.

Neste contexto, desponta o decisivo papel do setor privado. Com uma base de usuários sem precedentes na história da humanidade,11. Dados do terceiro trimestre de 2017 mostram que o Facebook contava com 2,07 bilhões de usuários mensais ativos ao redor do mundo, um aumento de 105% sobre o mesmo período de 2012. País mais populoso do planeta, a China conta com 1,379 bilhão de habitantes (2016). serviços controlados por empresas como Facebook, Alphabet/Google e Twitter constituem, em muitos contextos, um dos principais meios de compartilhamento de informações e opiniões. Por sua gratuidade e por causa de acordos comerciais com operadoras de telecomunicações, a relevância de tais plataformas para a circulação de informações é ainda mais significativa entre a camada mais vulnerável da população. A prevalência e o crescimento ainda mais acelerado22. Os acessos por dispositivos móveis representaram 84% do volume de usuários mensais ativos do Facebook no quarto trimestre de 2016. Trata-se de um aumento de 302% sobre o mesmo período de 2011. do acesso móvel às redes sociais tem sido responsável por capilarizar a atuação na esfera pública digital, fortalecendo sobremaneira o poder e influência de tais empresas e de suas políticas. No plano multilateral, somente a partir de 2011 foram estabelecidas regras mínimas de respeito a direitos humanos por empresas, com a aprovação dos Princípios Orientadores para Empresas e Direitos Humanos. Os Princípios descrevem como os Estados e as empresas devem implementar o Quadro “Proteger, Respeitar e Reparar” das Nações Unidas, a fim de melhor gerir os desafios relativos a negócios e direitos humanos.

Estes desenvolvimentos abrem espaço para novas dinâmicas de controle do discurso e vigilância por parte das instituições estatais, o que tem imediato impacto em condições do debate democrático, como os direitos à participação política, liberdade de expressão e na autonomia cidadã. Além disso, a emergência de tais tecnologias trouxe uma série de novos riscos e distorções na arena democrática global. Contextos de grande polarização política, crise econômica e questionamento das instituições – fenômenos da realidade offline tanto no Brasil como em diversos países do mundo – têm propiciado a propagação viral de notícias falsas (“fake news”) e utilização de programas automatizados (“bots”) ou semiautomatizados (“ciborgues”) no intuito de influenciar de forma subreptícia o debate público. Estudos apontam para uma crescente ameaça de impacto significativo no resultado eleitoral decorrente da utilização de histórias inverídicas e perfis falsos nas eleições do Brasil em 2014;33. GRAGNANI, Juliana. Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil. BBC Brasil, 08.12.2017. Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42172146>. Último acesso: 03.01.2018. nos EUA em 2016;44. ALLCOTT, Hunt; GENTZKOW, Matthew. Social media and fake news in the 2016 election. National Bureau of Economic Research, 2017. Disponível em <http://stanford.io/2Aiw6gw>. Último acesso: 03.01.2018. no Quênia,55. WADHWA, Tarun. Kenya’s Election Proves Fake News Is A Serious Threat To International Security. Forbes, 14.08.2017. Disponível em <http://bit.ly/2AhZX8T>. Último acesso: 03.01.2018. Reino Unido66. MASON, Rowena. Theresa May accuses Russia of interfering in elections and fake news. The Guardian, 14.11.2017. Disponível em <http://bit.ly/2AipaQB>. Último acesso: 03.01.2018. e Alemanha77. SCOTT, Mark. Ahead of election, Germany seeks fake news antidote. Político, 31.08.2017. Disponível em <http://politi.co/2Aguzrk>. Último acesso: 03.01.2018. em 2017. Há que se considerar ainda que o acirramento da polarização política, somado ao advento de novas vozes em contextos online, potencializa a violência de setores conservadores contra mulheres e minorias identitárias como população LGBTI e minorias raciais.

É com esses desafios em mente que a Revista Sur propõe, para sua edição número 27, um debate entre acadêmicos e ativistas de direitos humanos, principalmente do Sul Global, sobre o impacto da internet na democracia. Á edição terá duas editoras convidadas do InternetLab (Mariana Giorgetti Valente e Natalia Neris) e um editor convidado da Friedrich Ebert Stiftung (Fabio Balestro).

Em ano marcado por diversos processos eleitorais previstos em todas as regiões do mundo,88. Incluindo, além do Brasil (outubro), Costa Rica (fevereiro), Rússia (março), Colômbia (março e maio), Reino Unido (maio), Iraque (maio), Egito (até maio), Itália (possivelmente junho), Coréia do Sul (junho), Paquistão (julho), Sudão do Sul (julho), México (julho), Suécia (setembro), Zimbábue (até setembro), Bélgica (outubro), Estados Unidos (novembro), Turquia (que, embora prevista para 2019, provavelmente será antecipada para 2018), Índia (oito assembleias legislativas estaduais ao longo de 2018) e Líbano (possivelmente até o final de 2018), entre outros. a Sur buscará contribuir para o avanço do estado da arte sobre o assunto, trazendo a contribuição de profissionais, especialistas e ativistas em direitos humanos e democracia sobre as seguintes temáticas:

A Revista Sur recebe contribuições (em português, inglês ou espanhol) entre 7.000 – 20.000 caracteres (incluindo espaços) nos seguintes formatos:

• ENSAIOS

Análises aprofundadas sobre direitos humanos, de preferência textos que tratem de questões de importância internacional e/ou tragam uma perspectiva comparada entre diferentes países.

• ESTUDOS DE CASO

Textos sobre a implementação da mobilização da sociedade civil, estratégias de advocacy, contranarrativas e outras respostas e que analisam o impacto dessas estratégias.

• REFLEXÕES INSTITUCIONAIS

Textos mais curtos escritos por organizações de direitos humanos e da sociedade civil sobre sua experiência em gestão, avaliação, financiamento, sustentabilidade ou temas relacionados.

• PEÇAS ARTISTICAS

Reconhecendo a importância de comunicar com públicos mais amplos sobre temas de direitos humanos, a Revista Sur busca peças artísticas, como coleções de fotografias ou charge, vídeos ou poemas que transmitem uma mensagem específica de direitos humanos (que pode, se necessário, ser explicada por um breve texto).

PROCESSO DE SELEÇÃO E DIREITOS AUTORAIS

Uma vez apresentadas, as contribuições estarão sujeitas a um processo seletivo. Cada contribuição será avaliada por um membro da equipe editorial e se atender aos padrões de qualidade da Revista, passará por um processo externo de avaliação anônima (blind review). Devido ao grande número de contribuições recebidas para cada edição, o Conselho Editorial se reserva o direito de não informar aos autores as razões pelas quais uma contribuição foi rejeitada.

Em relação aos direitos autorais, a Revista Sur utiliza o Creative Commons-Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 para publicar seus textos. Isso preserva os direitos autorais ao mesmo tempo que permite aos leitores compartilharem seu conteúdo.

Qualquer contribuição que contenha citações sem referências apropriadas (plágio) será desconsiderada imediatamente.
A Revista Sur não cobra dos autores taxas de processamento de artigos ou publicação.

FORMATO

As contribuições devem ser enviadas para artigo.sur@conectas.orgem formato eletrônico (em arquivo do Microsoft Word) utilizando as seguintes normas:

As contribuições recebidas que não seguem as diretrizes acima (incluindo o número de caracteres) podem ser imediatamente rejeitadas pelo Conselho Executivo.